Carlos Paredes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GUITARRA
(Carlos Paredes)


A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua).
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).

Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir.

Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.

Poema de Manuel Alegre

 

 

 

 

 

 

«Enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso tímido de quem pede desculpa de existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se à guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo único, um só tronco de música e de raiva, de sonho e de melodia, de angústia e de esperança, exprimindo por sons tanta coisa que nós não tínhamos palavras para dizer» - José Carlos de Vasconcelos recordava assim Carlos Paredes após ter assistido, no Teatro Avenida, na Coimbra dos anos 60, a uma inesquecível festa da Tomada da Bastilha que comemorava também o dia do estudante.

            Carlos Paredes nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925, filho e neto respectivamente de Artur e Gonçalo Paredes, dois grandes nomes da guitarra portuguesa. A influência familiar leva-o a abarcar o estudo da guitarra portuguesa, como refere o instrumentista: “foi com o meu pai que eu aprendi a tirar da guitarra sons mais violentos, como reacção ao pieguismo langoroso a que geralmente a guitarra portuguesa estava ligada”. Viria a impor um novo estilo na interpretação da guitarra portuguesa, o que o viriam a tornar, senão num símbolo do próprio país, num símbolo deste instrumento.
Aos nove anos vai morar para Lisboa. Terminado o Liceu, ingressa no Instituto Superior Técnico, mas não chega a terminar o curso.
Em 1957, edita o seu primeiro disco e três anos depois a música é utilizada como banda sonora no filme “Rendas de Metais Preciosos” de Cândido da Costa Pinto.
Em 1962 compõe um dos seus mais belos temas, “Verdes Anos”, uma encomenda de Paulo Rocha para o filme com o mesmo nome.
Na década de sessenta, compõe para cineastas como Pierre Kast e Jacques Doniol-Valcroze, Jorge Brun do Canto, Manoel de Oliveira, António de Macedo, José Fonseca e Costa, Manuel Guimarães e Augusto Cabrita.
Em 1967, edita “Guitarra Portuguesa”, o seu primeiro disco de 33 rotações com Fernando Alvim à viola.
Quatro anos depois é a vez de “Movimento Perpétuo”.
Entregando-se à revolução de 1974, tocando em diversos pontos do país, só em 1988 volta a editar um disco: “Espelho de Sons”.
Trabalhou toda a vida como funcionário do Ministério da Saúde.

 

O Carlos Paredes

«As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. Não há mais nada».

In Público, 20/3/90



«Para se fazer música com prazer tem muita importância a amizade entre as pessoas. Não se pode fazer música friamente e com cálculo, profissionalmente, no mau sentido da palavra, a receber x à hora. Não pode ser assim».

In Se7e, 16/3/88



«A música que faço é um produto das circunstâncias imediatas do tempo em que eu vivo, e passará a ser encarada de outra forma quando essas circunstâncias desaparecerem. É uma coisa que, se perdurar graças aos discos, ficará apenas com o valor de documento, como acontece com toda a pequena música, desde os Beatles ao Manuel Freire. E já ficarei muito orgulhoso se, daqui a muitos anos, puder ser entendido como um compositor que se integrava bem nos acontecimentos desta época...».

In Se7e, 5/10/83


«Já me tem sucedido fazer as pessoas chorar enquanto eu toco... E eu não compreendia isto, mas depois percebi que é a sonoridade da guitarra, mais do que a música que se toca ou como se toca, que emociona as pessoas».

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

Discografia e Partituras

 

   1957 - «Carlos Paredes» (EP);

    1962 - «Verdes Anos» (EP);

   1968 - «Romance nº2» (EP), «Fantasia» (EP), «Porto Santo» (EP), «Guitarra Portuguesa» (LP e CD); 1971 - «Balada de        Coimbra» (EP), «Movimento Perpétuo» (LP e CD);

   1972 - «Movimento Perpétuo» (EP), «António Marinheiro» (EP);

   1975 - «É Preciso Um País», com Manuel Alegre (LP e CD);

   1983 - «Concerto em Frankfurt», (LP e CD);

   1986 - «Invenções Livres», com António Vitorino d'Almeida (LP e CD);

   1988 - «Espelho de Sons» (LP e CD);

   1990 - «Dialogues», com Charlie Haden (LP);

    1992 - «Asas Sobre o Mundo» (CD);

   1994 - «O Melhor dos Melhores» (CD);

    1996 - «Na Corrente» (CD);

    1998 - «O Melhor de C. Paredes» (CD);

   2001 - «Canções para Titi» (CD).

        Nota:    Como havia já referido na apresentação da minha página, coloquei ao vosso dispor algumas partituras de temas que constam nos trabalhos editados por Carlos Paredes que puderão ser acedidos clicando no nome do tema, estando estes separados consoante o trabalho a que correspondem. Caso não tenham o disco onde está incluido um determinado tema cuja partitura se encontra aqui, podem fazer o download do Power Tab Editor e, a partir dessa partitura, construir o ficheiro midi que será executado por este programa ( como exemplo ponho à vossa disposição o "Movimento Perpétuo").

      

«Movimento Perpétuo»

 
«Concerto de Frankfurt»

 
«Espelhos de sons»

 
«O Melhor dos Melhores»

 

Power Tab Editor

 

 

 

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Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Prática de Computação.

Autor: Pedro Miguel de Sá Santos

Last Updated: 10-12-2001